O Brasil encerrou 2025 com inflação oficial (IPCA) de 4,26%, dentro da banda de tolerância da meta do Banco Central do Brasil e no menor patamar desde 2018. Em dezembro, o índice foi de 0,33%, segundo o IBGE.
O que isso significa?
Esse resultado é positivo porque:
- Fica abaixo do teto da meta, reduzindo desgaste na política monetária.
- Representa a inflação acumulada mais baixa em sete anos, o que contribui para melhor previsibilidade para empresas e famílias.
- Abre espaço, mesmo que cauteloso, para o início do ciclo de cortes da Selic em 2026, segundo projeções do mercado.
O resultado surpreendeu positivamente tanto o mercado quanto os analistas, que esperavam um IPCA levemente acima de 4,5% no fim de 2025.
Por que economistas continuam atentos à inflação de serviços?
Apesar da leitura geral ser mais favorável, a inflação de serviços é apontada como um dos principais fatores de preocupação:
- Os preços dos serviços, especialmente aqueles sensíveis ao custo de mão de obra, aceleraram no fim de 2025, mais do que o observado em outros grupos de itens.
- Serviços intensivos em trabalho, como educação, saúde, alimentação fora do domicílio e serviços pessoais, mostraram altas relativamente mais fortes, refletindo um mercado de trabalho ainda robusto e aquecido.
O que isso representa?
- Mesmo com inflação geral mais baixa, o fato de serviços continuarem em patamar elevado indica que o controle total sobre a pressão de preços ainda não está consolidado.
- Esse comportamento exige prudência por parte do Banco Central ao ajustar a política monetária, porque o risco de “ressurgimento” de pressões inflacionárias está presente se a economia esquentar demais.
Cenário de política monetária em 2026
O desempenho do IPCA em 2025 reforça a expectativa de que o Banco Central deve iniciar cortes na taxa Selic durante 2026, possivelmente já a partir de março, com base tanto nos números de inflação quanto nas expectativas de desaceleração.
Mas essa trajetória deve ser gradual e bem monitorada, justamente por causa da inflação de serviços. A autoridade monetária precisa equilibrar:
- o senso de urgência em aliviar o custo do crédito, e
- o risco de que preços de serviços permaneçam elevados, o que poderia sustentar pressões inflacionárias.
Mesmo com o cenário geral de inflação controlada:
- Continue atento aos custos de serviços, especialmente mão de obra e terceirizações, que tendem a impactar diretamente suas despesas operacionais.
- Preveja em seus cenários de projeção orçamentária a possibilidade de juros caindo no segundo trimestre de 2026, mas com ajustes cautelosos.
- A combinação de inflação ainda acima do centro da meta e pressões em serviços reforça a importância de planejamento financeiro estratégico e de monitorar tendências de consumo e custos ao longo do ano.




